Meus arquivos :)

'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

1 semana


Era domingo e como de costume, acordou tarde. Abriu os olhos com uma cara péssima, calçou os chinelos resmungando horrores, e se levantou da cama como quem ainda quisesse morar lá por anos. Olhou-se no espelho e se viu maltratado. Mesmo com os pedidos freqüentes da mulher para que se tornasse um pouco mais cuidadoso com a aparência, ele resistia e insistia em dizer que estava bem daquele jeito. Reparou na barba mal feita e passou a mão nos cabelos na tentativa frustrada de ajeitar os cachos rebeldes e emaranhados. Ele tinha apenas vinte e poucos anos, mas em sua testa estava estampada a fisionomia de um velho centenário, rabugento e mal agradecido. Finalmente cansou de analisar seus defeitos numerosos, e resolveu descer as escadas em busca de um café forte. Sua mulher já estava lá, sorridente e iluminada, pronta para recebê-lo com ares cor-de-rosa, enquanto ele, sem mais delongas sentou-se amarrotado e amuado na cadeira. Nem mesmo o sorriso singelo da esposa conseguia fazer com que ele movesse uma mínima parte dos músculos dos seus lábios. Estava lá, intacto e impenetrável. Abriu a boca apenas para cobrar agilidade no serviço do café. A mulher perguntou, rodeando em palavras, se ele havia dormido bem. Ele a olhou de canto e levantou uma sobrancelha como em sinal negativo. Ele estava realmente aborrecido com a vida. Seu time não estava classificado pra final do campeonato, o salário estava muito curto pra pagar as despesas do mês, a viagem do fim de ano precisou ser adiada e os primeiros problemas da vida conjugal estavam começando a se revelar. As diferenças, por mínimas que fossem, o deixavam incomodado e aturdido, e havia horas em que ele desejava não ser casado. Por vezes, preferia estar com os amigos – estes, um tanto falsos e interesseiros - do que fazer companhia a sua mulher no sábado à noite. Ao mexer a colher, ele refletiu sua existência, julgando-a monótona, mas ele era o primeiro a fazer das suas horas um poço de monotonia, principalmente aos domingos, em que ele se enterrava vivo no sofá, e só saía de lá se as necessidades fisiológicas o obrigassem.
















EM UMA SEMANA SUA VIDA PODE MUDAR











Era domingo, e pela primeira vez acordou cedo. Abriu os olhos de uma forma risonha, calçou os chinelos cantarolando uma linda canção, e se levantou da cama como quem ainda quisesse continuar abraçado à sua esposa. Ela estava lá, com a maquiagem borrada e um tanto descabelada, mas mesmo assim, ele a achou mais linda do que nunca. Olhou-se no espelho e se viu revigorado. Após os pedidos freqüentes da mulher para que se tornasse um pouco mais cuidadoso com a aparência, ele percebeu e entendeu que não estava bem daquele jeito. Reparou na barba que já não deixava rastros, e passou a mão nos cabelos, lembrando de como seus cachos eram rebeldes e emaranhados. Ele já tinha vinte e poucos anos, mas em sua testa estava estampada a fisionomia de um adolescente deslumbrado, afável e jovial. Finalmente cansou de rir dos seus defeitos numerosos, e resolveu descer as escadas em busca de um café forte. Sua mulher já estava lá, sorridente e iluminada, pronta para recebê-lo com ares cor-de-rosa, e ele, sem mais delongas beijou-a apaixonadamente até deixá-la sem fôlego. Só mesmo o sorriso singelo da esposa conseguia fazer com que ele movesse cada mínima parte dos músculos dos seus lábios. Estava lá, liquefeito e pérvio, e nem mesmo abriu a boca para cobrar agilidade no serviço do café. A mulher perguntou, rodeando em palavras, se ele havia dormido bem. Ele a olhou profundamente e levantou uma sobrancelha como em sinal positivo. Ele estava realmente de bem com a vida. Seu time não estava classificado pra final do campeonato, o salário estava muito curto pra pagar as despesas do mês, a viagem do fim de ano precisou ser adiada e os primeiros problemas da vida conjugal estavam começando a se revelar. Mas já não se importava tanto com essas coisas. As diferenças, por máximas que fossem já não o deixavam incomodado e aturdido, e as horas em que ele desejava não ser casado haviam ficado no passado. Já não via hora de fazer companhia a sua mulher no sábado à noite, deixando finalmente para trás os amigos falsos e interesseiros. Ao mexer a colher, ele refletiu sua existência, julgando-a não mais monótona, já que ele era o primeiro a fazer das suas horas um poço de felicidades. Porém, lembrou com tristeza dos seus últimos domingos, em que ele se enterrava vivo no sofá, e só saía de lá se as necessidades fisiológicas o obrigassem. Essas horas desperdiçadas, não voltam jamais.

Em uma semana ele descobriu que ia morrer.
Em uma semana, ele entendeu que ele apenas existia.
E só assim, ele passou a VIVER sua vida.





PENSE NISSO.

Nenhum comentário:

Postar um comentário