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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

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O garoto exótico - Parte V - Fogo e Frio.




No pátio de entrada tinha uma mesa vazia. Como havia tempo suficiente antes da sua primeira aula, resolveu sentar-se naquela cadeira plástica e solitária. O que fazer então, naquelas próximas e entediantes duas horas vagas? Nada, respondeu enfezada, a menina a si mesma, olhando vagamente para o além. Aos poucos, o pátio que estava cheio começou a esvaziar e à medida que a brisa do entardecer se tornava mais intensa, mais gente ia de volta para as suas casas. Uma ou outra pessoa, adentrava o portão central e ia em direção à sala de aula. Pessoas que ela não conhecia e que apenas observava os detalhes da roupa ou algo parecido. Na chatisse de acompanhar a vida alheia, viu seu coração acelerar subitamente, com a sublime presença do ser exótico. Tornou-se impossível observar apenas a roupa dele, no meio de tantos charmes, sorrisos e encantos. Lembrou ter passado todo o fim de semana e feriado pensando no tanto que ele já era especial . Depois de recordar alguns momentos bobos em que sonhava emersa na solidão, continuou enfim, a sua análise detalhada. Aproveitou que ele estava parado a alguns metros na sua frente e reparou melhor no jeito dele se vestir. Como sentiu vontade de sorrir no momento em que bateu os olhos nos seus pés! Seus sapatos pretos de listrinhas brancas era a parte mais interessante de todo o conjunto engraçado. Há séculos não via alguém usando sapatos assim, talvez desde os tempos de primário. Antes que derretesse toda a sua paixão sobre um sapato preto e branco, fechou seus olhos, e numa piscada, ele desapareceu. Mesmo antes da tristeza tomar conta novamente daquele espaço, o viu ressurgir em poucos segundos diante do seu olhar, agora mais perto e risonho do que nunca. Ah, e que bom! ... ainda teve o prazer de receber um aceno cavalheiro. O aceno cavalheiro foi retribuído com um sorriso de Monalisa. Misteriosamente, mesmo eufórica com tal presença, ela conseguiu manter-se sob controle, que até mesmo conseguiu nivelar seu sorriso ao da enfeitiçada Gioconda. Foi algo um tanto sedutor. E atendendo todas as preces da menina, o garoto foi se aproximando mais e mais até pedir pra sentar-se do seu lado, alegando que precisava de alguém para lhe fazer companhia. Ela, indubitavelmente, concedeu seu pedido. Ele sem hesitar sentou e sorriu, e eles conversaram durante alguns minutos, talvez os mais esperados daqueles últimos dias que se suscederam. Conversaram sobre estudo, amigos e diversão. Foi tudo muito lindo, realmente, mas algo mudou os pensamentos da menina depois daquela conversa. Ah que tragédia: ele era o seu oposto, talvez diferente demais para o seu gosto. O estudo não era a sua prioridade, ele tinha demasiados amigos e a diversão era o seu primeiro posto. Deu pra notar que Sexo, Drogas e Rock'in'roll era o seu verdadeiro estilo. Isso decepcionou a menina, que carregava consigo a estampa de boneca inocente. Apesar de continuar achando o garoto, exótico, parou de achá-lo o centro das suas intenções e atenções.
No dia seguinte já não estava tão ligada ao seu jeito.
É assim mesmo... Ninguém tem culpa.
De repente, assim como o fogo da incerteza queimou seu coração nos últimos dias, o frio da certeza consumiu seus neurônios, e a fez entender, que ele simplesmente não servia pra ela.
Foi uma paixão tão exótica quanto o garoto, que durou sete dias, e sem explicação voltou ao fundo das águas, para enfeitiçar quem sabe, uma nova vítima.

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