Reaprender a amar está sendo tão difícil que tenho medo de jamais conseguir fazer bem feito. Há poucos dias fiz algumas promessas, que jurei ser as últimas. Tais promessas seriam pra mim, capazes de me fazer superar os erros, de me fazer mais forte e de me redimir tantos pecados. Consegui o êxito por alguns dias, tempo suficiente para entender o quanto amar ainda é prazeroso. Mas, no ápice do meu empenho, no auge da minha conquista, me vi tomada novamente pelo desespero. Era o ciúme voltando à tona. E olha só que tristeza: morri de ciúmes de uma música.
“Ao ouvir a melodia brega, me veio à mente, a imagem de uma mulherzinha. Ela era gostosa, de blusinha colada e olhares sedutores. A minha imaginação fértil se encarregou de arrebatar o meu infortúnio. De trás de uma árvore, eu assistia tudo - o homem que eu amava, estava hipnotizado por aquela rapariga. Na sua bicicletinha, ela exibia sem pudor a sua saia transparente. Simplesmente, eu e ele, vimos tudo: a sua alma atrevida, o seu jeito vadio e até a cor da sua calcinha. Como ela gostou de ser a atriz pornô da cena. Como ele amou percorrer cada detalhe com seus olhos. Como eu me senti tão pequena no meio de tudo! Minha vista ficou alterada, meu peito abriu em feridas e a raiva me subiu a cabeça. Me senti traída, em pensamento, por aquela letra sem-vergonha!”
De fato, ao voltar à realidade, me senti ridícula após apontar meus facetos motivos. Segundo ele, apenas eu imagino essas coisas.

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