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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

Um Anjo, um Destino.


O Destino é algo interessante, mas perigoso.


Sempre o via naquele mesmo ponto, esperando a condução pacientemente. Seu rosto sereno me dizia tanto, mas ainda pouco me revelava sobre sua secreta vida. Não imaginava de onde vinha, o que fazia e por que estava ali. Não sabia o seu nome, os seus planos, nem o via sorrir; Suas feições me lembravam um alguém, de quem, em mim, guardava lindas lembranças. E nessa falta de saber, eu apenas aguardava lá, como quem nada estivesse esperando. Conduzindo eu ia, cautelosamente guiando os meus pensamentos secretos. Sentia vontade de te erguer a mão, desejar bom dia, perguntar as horas, só para encontrar um sentido em todo aquele anonimato. Por vários dias, aguardei ao seu lado, insólita, incrédula de que em algum momento você fosse, ao menos, perceber minha presença. Foi aí que desisti. Confesso que a tempo, exerguei-o um metido, apenas guardado no seu frasco interior, mundo seu e masculino. O achei reservado demais ao ponto de defini-lo como fastidioso. "Do que adiantava um rosto de anjo, se me fazia ficar entre o limbo e o paraíso?" - Pensava eu, meio que ressentida com a sua desatenção.


Mas um dia, veio o Destino. Interrompeu a monotonia da rotina, me empurrou para fora, me puxou pelo braço, e me pôs tão perto desse anjo distraído.


Era outro dia. Desci as escadas com pressa e confusa. Fui me aproximando daquele ponto, e por entre alguns, ele já se encontrava. Sem nenhuma novidade, procurei me ajustar ao clima: silêncio, timidez, paciência. E às seis e meia daquela tarde-noite, podia-se ver apenas dois seres tímidos e recatados nos limites opostos de um vasto planeta; Éramos nós, sós, dois jovens desconhecidos. O sol que adormecia incidia nos meus olhos castanhos e curiosos. Eu estava demasiadamente resistente por querer mudá-los de rumo. Mirava à frente, à rua, a calçada, mas tudo que eu queria era mesmo ver o seu rosto. Que coisa estranha! Quem iria explicar esse inútil desejo de querer-te em minha vista?



Quase sete e a “sopa” custava a passar. Não resisti: puxei assunto. Perguntei uma coisa tola, quase sem retorno, mas que de fato, acendeu a sua vontade de falar comigo. No primeiro passo, foi um pouco tenso: trocamos duas palavrinhas e pronto! Me senti pequena, e um pouco constrangida. Será que estava sendo enfadonha? Respirei fundo, cantei uma música e tentei de novo. Mas tentei com jeito descobrir seu nome, e enfim, tão simples consegui te explorar por inteiro. Foi assim que eu mergulhei em outro universo, e aos poucos, já contava estrelas, corações. (...) Já não me importava a demora, a espera, o cansaço. Estava mais afim de outras coisas, como por exemplo, bater um papo cabeça.


Sete e meia chegava à tona e o meu senso de humor continuava latejante, me fazendo rir  por entre o seu riso. Eu e ele: atipicamente íntimos. Como velhos conhecidos fomos nos entrosando, e delicadamente, reatou-se um laço entre espíritos distintos. A noite já estava conosco, e o gosto que grudava em minha boca era de despedida. Era como um sonho, do qual se entristece ao acordar.  Quem iria prever que de ontem pro agora, tudo se modificaria? O anjo menino era realmente um anjo! E o que faço? É estranho pensar que ficaram em mim lembranças de um encontro pré-destinado  - com o meu próprio Destino.


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