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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

Reciprocidade.



Querido Diário,

Olhei pra aquele menino novo, moreno, estiloso e intriguei-me; Ele realmente tinha uma presença muito notória naquela salinha fria. Seu brinco preto na orelha esquerda é o que há de mais encantador. Mas, apesar de ser reservado, o seu olhar não soava tão modestamente, e aí não tinha como não pensar mal dele. Acho que fiz um pré-julgamento, mas eu vou contar o porquê. Um dia lá, tentei dizer um oi. Cheguei perto, olhei, olhei, olhei e ele nada. Me deu as costas e se pôs a conversar com outra pessoa. Franzi a testa. Afinal, se ele já sabia o meu nome, porque se negava a me dar um tico de atenção? Dar um oi doía? A falta de simpatia machucou o meu ego. Achei até que o problema era comigo, afinal tinha aqueles e aquelas, sim, aquelas, que arrancavam daquela boca lúbrica um sorriso pueril. Porque não eu? Depois da pontada fina da rejeição eu fui compreendendo que eu não tinha culpa de nada, apesar de me sentir a mal-amada da história. Outro dia, me esbarrei no corredor e lá estava ele novamente. Sorri na esperança de uma reciprocidade. Contudo, a troca não foi simultânea e eu estava quase desistindo de uma aproximação, mesmo que momentânea. Porque alguns meninos fazem isso? Quem disse que a garota adora essa indiferença masculina está muito enganado, porque ela chateia, inibe e até mesmo afasta quem pretendia estar ali, junto. Pela última vez tentei algo. Fui comendo pelas beiradas, tentando ser sutil, sem que ninguém notasse. Naquela mesma noite, sentei-me a alguns centímetros de distância. Os 90 centímetros foram necessários para eu observar que alguém, do sexo oposto, se encantava a cada palavra sua. A doce menina esguia, de cabelos cacheados derretia-se e fazia questão de ficar todos os dias o mais próximo que o espaço lhe permitia. Acho que ele se sentia a vontade. Talvez nada estivesse acontecido entre os dois, mas meus olhos pressentiam algo na iminência de acontecer. Senti uma pontinha de ciúmes, sim, mas não sei por quê. Uma pitada de inveja? Certamente, pois naquela fria noite eu queria estar no lugar dela. Não queria ter aqueles sentimentos ruins, mas senti-me um tanto impotente, pois nada podia fazer para conquistar-lhe a atenção. Até que resolvi perguntar algo do nada, no meio da conversa, sem ser chamada. Foi incrível, parece que ele só estava esperando que eu dissesse algo. A sua resposta pra minha pergunta boba, foi terna e foi ali que o ice Berg da distância foi partido. Toda aquele gelo dissolveu-se na candura do seu sotaque. Que bom, ele sorriu pra mim. Que mágico, o seu olhar descobriu o meu. A reciprocidade, mais uma vez, acalentou a dor amargurada de um quase-não.



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