Infinita Highway – a nossa noite no
deserto.
Você me faz correr demais
Os riscos desta highway
Você me faz correr atrás
Do horizonte desta highway
Ninguém por perto, silêncio no deserto,
Deserta highway
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe exatamente onde vai parar
Os riscos desta highway
Você me faz correr atrás
Do horizonte desta highway
Ninguém por perto, silêncio no deserto,
Deserta highway
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe exatamente onde vai parar
Desde o primeiro momento
em que criei coragem e me aproximei de você, eu aceitei correr os riscos da highway. Escolher
não me afastar do seu sinuoso caminho, ao primeiro sinal de perigo, também foi
uma grande aposta de risco. Corri perigo ao encará-lo pela primeira vez, mas
fui recebida pelo seu sorriso de boas-vindas. Corri perigo em permanecer ao seu
lado, mas notei que o seu interesse era de ficar ao meu lado também, mesmo que
por breves instantes; mesmo que no tempo passado.
E na primeira vez que ousamos ficar a sós no Deserto, no silêncio das bocas e
nos gritos dos olhares, eu e você, embarcamos rumo ao destino incerto da
felicidade explosiva. Você não me disse, mas eu percebi que naquela noite não
iríamos à lugar algum. Estávamos sós, e nenhum de nós sabia exatamente onde
aquilo iria parar. A vontade incabível era nossa única certeza.
Mas não precisamos saber pra onde
vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos nem objetivos
Nós estamos vivos e é tudo
É sobretudo a lei
Dessa infinita highway, highway
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos nem objetivos
Nós estamos vivos e é tudo
É sobretudo a lei
Dessa infinita highway, highway
E
naquele instante do infinito universo, não havia necessidade de ter
mapas e bússolas: só era preciso seguir as ruas do coração. E naquela
noite, não queríamos ter o impossível, apenas queríamos gozar do direito
de viver. Aceitar apenas a duração do presente, conviver com nossas
possibilidades, e além de tudo, concordar em ter o que era possível de
se ter, é uma árdua decisão. A Lei da Vida acontece independente de
qualquer objetivo traçado e motivo justificado. Simples, sobrevém, e nos
cabe a decisão de abrir os olhos, e, apesar do revés da dor, ver para
crer.
Escute garota, o vento canta uma canção
Dessas que uma banda nunca toca sem razão
Então me diga, garota: "Será a estrada uma prisão?"
Eu acho que sim, você finge que não
Mas nem por isso ficaremos parados
Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão
Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre
Se tanta gente vive sem ter como viver
E de várias formas
você me disse que era pra ouvir a canção que falava sobre nós. O vento tocava em meus
ouvidos, meus sentidos, meus sorrisos, a canção imprópria que soava sem razão. Você me
questionou sobre a vida, sobre o momento certo de se prender. Você disse que a
depender das nossas escolhas, a vida pode ser como uma prisão. No primeiro momento,
eu fingi não concordar com suas insanas palavras, e tentei, na ilusão das
minhas escolhas feitas, me convencer de que eu era a pessoa mais livre do
mundo. Eu sabia que estava mentindo pra mim mesma. E, num convite para viver a vida, você me questionou se valia à pena
sonhar apenas, sem realizar. Fui desafiada. Você pegou a minha mão, me tirou do
chão, me levou pras nuvens, e depois de ter provado o gosto da sua liberdade,
despenquei céu abaixo. Atordoada, pensei comigo mesma quando voltei à
consciência: “não adianta ser livre, se o que a gente vive, não é possível de
se viver”.
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde vai parar
Estamos vivos sem motivos
Que motivos temos pra estar?
Atrás de palavras escondidas
Nas entre linhas do horizonte
Desta highway,
Silenciosa highway,
Infinita highway.
Depois de tudo, só me restam apenas
palavras escondidas. Silenciosa highway, me responda: que motivo tenho para
viver? Infinita highway, se explique: o que está em suas entrelinhas? O que
você quer me dizer.
Eu vejo um horizonte trêmulo
Tenho os olhos úmidos
Eu posso estar completamente enganado
Posso estar correndo pro lado errado
Mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza
Eu vejo as placas dizendo "Não corra"
"Não morra", "Não fume"
Eu vejo as placas cortando o horizonte
Elas parecem facas de dois gumes.
E nessa viagem para lugar
nenhum, o horizonte trêmulo é tudo o que eu vejo em minha frente. Futuro incerto,
passado errado, presente incompleto. A chuva que cai dos meus olhos é água
quente que desce e umedece a visão. E quem poderá ter a certeza que eu estou
correndo para o lado errado? E quem poderá afirmar que eu estou completamente
enganado? A única confirmação que eu tenho é de que se não houvesse a pureza da
dúvida em mim, nada teria sido verdadeiro. Nessa altura de riscos já corridos,
é inútil ter certeza do que valerá a pena. Pessoas me dizem para “não correr”,
mas só o fim da estrada irá dizer. Pessoas dizem para eu “não morrer”, e
esquecem que um dia eu estive no céu. Finalmente, me proíbem de “fumar”, mas
não sabem que é ruim demais esquecer-se do vício de viver, esquecer de como é
bom amar. Caminho de dois sentidos. Facas de dois gumes. Não dá pra correr
devagar, morrer e se sentir vivo, fumar e não ser um ex-fumante. Ou é ou não é.
Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute garota, façamos um trato:
Você desliga o telefone se eu ficar um pé no saco
E nesse caminho de trilhas secretas, ninguém melhor pra me dizer o caminho a ser seguido do que meu próprio segredo. Não conte apenas com a minha interpretação racional e não venha me dizer como devo me sentir. Às vezes me vejo fora da rota, pegando outro rumo, dentro da sua própria confusão. Me sinto inserida em sua própria lei do desapego: sem obrigação de atender ao seu chamado, com a total liberdade de dizer adeus, sem culpa.
Cento e dez
Cento e vinte
Cento e sessenta
Só pra ver até quando
O motor aguenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclete de menta
E a sombra de um sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway
E voltando a ideia inicial de correr os riscos, se você me convencer, eu ainda me permito dar mais uma chance ao velho motor. Não sei se aguentarei mais uma longa viagem , mas, de certo, preciso fazero caminho de volta e retornar pra casa depois de tantas coisas novas que encontrei pelo caminho. Se quiser pegar carona comigo na estrada de volta, fique à vontade. Só não te prometo um beijo. Só não te prometo o velho sorriso que um dia já foi seu. Sem pensar, deixei pra trás, coisas até demais, numa das curvas da Highway.
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