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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

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Junho 2 - O Plano perfeito


·O clima refrescante das férias já batia na porta do finalzinho daquele mês de Junho.

Era uma manhã ensolarada de quarta-feira, e a garota, como de costume, levantou cedo. O seu sorriso há quase uma semana, parecia flamejar uma satisfação incompreendida, mas ela ainda sabia disfarçá-lo com palavras rudes que travavam na garganta. Naquele dia, pretendia sair de casa no mesmo horário rotineiro, supostamente para assistir as aulas da faculdade. Só que o que ninguém sabia era que antes de qualquer coisa, ela necessitava atender os desejos do seu coração. Na sua mente já tinha tudo planejado. Já havia arranjado um bom pretexto para a sua ausência caso fosse encurralada pelos questionamentos da mãe. Havia passado a noite arquitetando idéias controversas, lutando pra esquecer as que lhe pareciam absurdas, mas por fim entrou em consenso consigo mesma, e decidiu ceder aos seus caprichos. Até pensou em inventar umas desculpas para adiar o encontro ou forjar um envolvimento com outro rapaz, mas por algum motivo deixou que as coisas acontecessem. Tentando buscar um ângulo mais maduro da situação, analisou os fatos como um grande compromisso íntimo, e não conseguia esconder que ele a estava a deixando um tanto inquieta nos últimos dias. Sentia que tudo isso era perigoso, ainda mais porque descobriu um brilho efusivo no seu olhar, talvez um brilho de novas esperanças, o qual tentara renegar inúmeras e sucessivas vezes a todo o momento que se encarava no espelho. Era notório, que esse alguém novo estava cercando o seu caminho de uma maneira peculiar, e este já parecia lhe afagar os cabelos nos seus mais secretos sonhos. Por mais caprichosos que fossem os seus desejos, ela mostrava-se resistente, e até então carregava um ar de mulher decidida a não ser mais tola com as armadilhas da paixão; Contudo, naquela manhã, finalmente ela resolveu por um ponto final na enrolação, talvez apenas, para afogar a sua amarga curiosidade. No seu guarda-roupa de menina-moça, nenhum composé era mais adequado do que a sua tradicional blusinha preta e a sua fiel calça jeans de todos os dias. Queria vestir-se de maneira simples, porém não podia deixar de ressaltar a sua beleza com um toque de sensualidade. A maquiagem foi essencial, deixando o seu rostinho como o de uma boneca. As penas que carregava na orelha e o bracelete que casava perfeitamente com seu estilo lhe carimbaram uma marca pessoal. Calçou uma sandália que não lhe era de muito gosto, mas resolveu não sair à rua no auge da sua perfeição, para quem sabe, alcançar seus altos níveis quando lhe fosse mais conveniente. Também não via muita necessidade em estar impecável. Ele que gostasse dela simples e bonita, pensava. Apesar de tudo não estava imensamente nervosa. Não suava, não tremia, nem se distraia facilmente como das últimas vezes. Fixou o olhar no seu mais profundo objetivo, que era não cair de amores outra vez, precisando assim mudar grande parte do seu jeito de ser. Só assim deixou de ser tão vulnerável às palavras enamoradas de um ser galante, parou de sonhar acordada toda vez que esse ser lhe cobria de promessas e louvores e começou a tratar o amor de uma maneira mais cautelosa. Deixava que as lindas declarações ao fio do telefone escorressem de um ouvido a outro, absorvendo somente aquilo que lhe fosse extremamente necessário ao seu ego. Enfim, encerrou sua fase de menina tola, de criatura indefesa e dessa vez, ela tinha sã consciência que lhe cabia o fácil papel de predador frio e calculista. Como caso raro, o gênero masculino, geralmente tão ágil e esperto no ato da conquista, era a presa dessa vez.

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