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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

O oco


O fim de dezembro já estava cantando, embora o som ouvido fosse tão desafinado. Lembrava saudosa das férias de julho, em que alegremente tinha o seu amor por perto. Estranho pensar que ainda estavam juntos e nem sequer o via ao seu lado. Era triste olhar o seu completo abandono, pois em muitas noites daquele dezembro ele nem tinha ligado. O que será que ele tanto faz em casa? – Pensava a menina aflita, consigo e coitada. Ela bem sabe disso: não conseguia saber de mais nada. Que coisa absurda os seus pensamentos. Pensou ser mais uma, pensou estar errada. Nos fios tortuosos da sua memória, buscava a fundo algum sentimento. Contudo lá dentro, apenas chorava e achava a pena e o mesmo lamento. Triste céu ensolarado, o qual, sem mais companhia, olhava. E no final do dia, a saudade. Afinal de contas, para que servem os namorados? Não havia ninguém para abraçá-la no cair da noite nem ao menos para colar seus pedaços. Convivia com esse cheio-vazio, perpétuo silêncio que incomodava. Queria de fora poder alerta-lo. Temia por dentro ser tarde demais. E fez isso uma, duas, cem vezes mais, e mesmo assim sobrava um espaço. O oco crescia a distância entre eles.
A culpa não é dela, a culpa é dele.

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