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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

Crônicas de Abril - Parte I - [teus olhos]



Registrar os fatos com palavras é a maneira que elejo para conhecer a mim mesma, pois escrever eleva a alma ao mais profundo autoconhecimento. Para entender o que eu digo, basta pensar com carinho, pois, da mesma forma, as minhas palavras exprimem carinhosamente o que a razão, com a sua astuta frigidez, não conseguirá jamais explicar.
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“Teus olhos abrem pra mim, todos os encantos/ Teus olhos abrem pra mim. Teus olhos abrem pra mim, todos os encantos bons. Tudo que se quer vai lá. Eu vi na terra, você chegando assim. Assim, de um jeito tão sereno. Ai, ai, meu Deus do céu! Eu vivo sem pensar se sou só. Acho que não vou mais. Agora tudo tanto faz, meu bem. Eu vi você passar levando meu encanto (...)” [Teus Olhos ]





Malmente via você, e se te via não me comprometia em olhá-lo mais profundamente, como faço com os meus mais íntimos conhecidos. Na verdade nunca reparei em muitos detalhes seus, talvez pela falta de oportunidade, quem sabe por falta de vontade em descobrir quem era você. Um dia você veio até mim, me encarou com olhos de bom moço e me viu cumprir, sem falsa modéstia, os ofícios profissionais com o mais dedicado cuidado, zelo, e afeição. Posso até esquecer-me de alguns ínfimos detalhes, mas nada, nada me fará esquecer o brilho dos seus olhos naquele dia. Só em falar neles já não lembro se era manhã ou tarde, ou nem mesmo o que falei ou deixei de falar ao te ver naquele momento. O seu olhar tinha uma doçura tão inebriante e cada vez que os meus olhos acanhados encontravam os seus, sentia uma luz de diamantes a pairar sobre nossas faces. Devo confessar que a minha face corou veemente, quando reparei na dimensão, redundantemente tão profunda, daquele seu olhar. Mas disfarcei, ah, claro, disfarçar foi o melhor que pude fazer naquele dia em que te vi oficialmente. Falo que foi uma visão “oficial” já que foi a primeira vez, de verdade, que passei a conhecer seu nome, seu rosto e sua forma de olhar pra mim. Antes de você sair, não pude deixar de reparar em algo dourado e vistoso em sua mão direita. Uma linda aliança. Aliás, não só eu reparei, mas todas que estavam ao meu redor repararam no fato de você ser comprometido com alguém. Por um minuto imaginei como seria a pessoa escolhida por você, e logo idealizei uma família começando a ser formada. Senti-me feliz, por pensar que você era feliz. Depois desse lapso de felicidade, confesso que não liguei mais pra fato algum, e que apesar de seu olhar (como dito acima), ter sido o grande foco de minha atenção, tentei mostrar-me indiferente à sua presença e a tudo que havia vivenciado ali. Quero dizer com isso que não almejava mais te ver, ou muito menos falar com você outra vez. Assim que você saiu do recinto onde eu me encontrava, os comentários explodiram feito uma bomba atômica. Mas foi uma explosão de elogios e observações relevantes e de muito bom gosto.  Os comentários descreviam sobre o seu ar sedutor, seu jeito donairoso, seu porte varonil, seu conjunto estrutural completo (...). E eu? Concordei com absolutamente tudo, balançava a cabeça em sinal positivo, dava sorrisinhos refreados, guardando, entretanto, as considerações mais salientes apenas pra mim. Não quis confessar o quanto o jeito de você me olhar me atraiu, por exemplo.  Isso deveria ser um segredo a morrer comigo. Pensava comigo mesma que se eu te visse de novo, seria para tratar de algo voltado exclusivamente para o âmbito profissional, e que os assuntos não triscariam os nossos gostos, sonhos e opiniões. Aliás, não imaginei a continuidade paralela dos nossos destinos. Doce engano. 
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