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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

Crônicas de Abril - Parte II - [dias de sol]

“Eu não tenho muita coisa pra dizer. Eu não tenho o mundo pra te dar. Uma canção que faça a rima parecer melhor quando você está. Eu não sei por que a gente tem que entender, se por acaso ninguém precisa explicar. Preciso de um verso apenas pra dizer que com você tudo muda. Dias de sol, só com você. Com direito a horas a mais e rimas iguais como eu e você. (...)” [Dias de Sol]



A sexta-feira raiou linda como sempre. Era um dia belo de sol, e da minha janela fumê eu observava os carros seguirem a sua rotina rumo ao final de semana. Simplesmente, encontrava-me radiante pelo fato do calendário apontar aquele dia mais que esperado por mim e por todos.  De todas as imagens que via e lembrava, a intensa figura do homem galante do dia anterior, já estava fincando-se no passado. Eu mesma procurava enterrá-la o mais fundo possível. Voltei a pensar no seu compromisso, na sua felicidade e nos momentos apropriados para aprender a se conformar. Mas a vida é uma roleta russa, e no mesmo momento em que pensamos em agir de uma forma, agimos de outra. Acho que hoje entendo quando exatamente as coisas mudaram, pois a minha concepção transformou-se ao acontecer o inesperado. Na minha “rede social”, reluzia um convite pendente. Alguém estava lá, predisposto a aproximar-se de mim, e, em minha opinião, a última pessoa que poderia estar predisposta a isso, seria você. Li o seu nome completo e só assim acreditei. Essa é a palavra certa: surpresa. As suas iniciais pareciam letreiros coloridos de Las Vegas, e apostar algumas fichas em nós foi tão simples como acreditar num desses jogos de azar. Não pensei duas vezes antes de abrir minha mão e mostrar as minhas riquezas em jogo. Deixei você conhecer as linhas de minha vida. Contudo, não acredito em sorte. Pra mim, tudo vem, fica e vai embora porque tem que ser assim.   Senti algo chamejar ali, talvez fiz um bom uso de minha intuição feminina, o que às vezes dá certo. Tentei dar uma chance ao nosso primeiro diálogo, me mostrando inteiramente aberta para estabelecer novos contatos. As nossas primeiras palavras trocadas foram suaves e bastante amistosas. Gostei da sua educação. Gosto de gente educada, gente arguciosa e que fale de tudo, sem limitações, rodeios ou preconceitos. Eu gosto de gente, mas claro, gosto cem vezes mais daquelas que me fazem sentir bem. No início, agi na retaguarda, mas depois, em menos de uma hora, senti-me extremamente bem com você. Quando falo em “sentir bem”, considere aquela sensação de rever um ente querido, realizar um sonho de infância ou ter saúde suficiente para lutar pelos nossos objetivos. A conversa realmente fluiu melhor do que eu esperava, mas uma hora tive que largar tudo e ir pra casa. Dentro de mim, senti um baque na despedida. Eu não queria ir e isso começou a me alertar pra algo estranho que acontecia naquela exata sexta-feira 13. A minha inspiração boêmia havia voltado com tudo, derrubando paredes, desligando as luzes, arrastando polêmicas e dúvidas nas avenidas do meu coração. Eu me conheço, e sei que tudo é um forte sintoma de (...). Prefiro ficar em silêncio. Recuso-me a assumir aqui, assim, tão repentinamente o que seria o diagnóstico para este sintoma.  Não quero arriscar uma definição pra isso, não agora. No dia seguinte, voltou à minha mente a curiosidade de saber por onde você andava, e se estivesse “online”, quem sabe arriscaria algumas perguntas do tipo: “oi, como vai?”. Me senti péssima, e até um tanto boba ao saber que não tinha muitas boas coisas pra dizer, e ainda muito pior por não ter a coragem de chegar até você para arriscar uma mísera pergunta. O interessante é que você sempre adivinhava os meus pensamentos, poupava-me de tomar essa conflituosa decisão, e vinha até mim, no auge gritante da minha incontrolável covardia. Você sempre me deixava surpresa. Algo tão absurdo e muito simples aos olhos dos não-envolvidos, mas que estava me consumindo, e até mesmo virando um problema sedento de solução.

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