A
sexta-feira raiou linda como sempre. Era um dia belo de sol, e da minha janela
fumê eu observava os carros seguirem a sua rotina rumo ao final de semana. Simplesmente,
encontrava-me radiante pelo fato do calendário apontar aquele dia mais que
esperado por mim e por todos. De todas
as imagens que via e lembrava, a intensa figura do homem galante do dia
anterior, já estava fincando-se no passado. Eu mesma procurava enterrá-la o
mais fundo possível. Voltei a pensar no seu compromisso, na sua felicidade e
nos momentos apropriados para aprender a se conformar. Mas a vida é uma roleta
russa, e no mesmo momento em que pensamos em agir de uma forma, agimos de outra.
Acho que hoje entendo quando exatamente as coisas mudaram, pois a minha
concepção transformou-se ao acontecer o inesperado. Na minha “rede social”,
reluzia um convite pendente. Alguém estava lá, predisposto a aproximar-se de
mim, e, em minha opinião, a última pessoa que poderia estar predisposta a isso,
seria você. Li o seu nome completo e só assim acreditei. Essa é a palavra
certa: surpresa. As suas iniciais pareciam letreiros coloridos de Las Vegas, e apostar algumas fichas em
nós foi tão simples como acreditar num desses jogos de azar. Não pensei duas
vezes antes de abrir minha mão e mostrar as minhas riquezas em jogo. Deixei
você conhecer as linhas de minha vida. Contudo, não acredito em sorte. Pra mim,
tudo vem, fica e vai embora porque tem que ser assim. Senti algo chamejar ali, talvez fiz um bom
uso de minha intuição feminina, o que às vezes dá certo. Tentei dar uma chance
ao nosso primeiro diálogo, me mostrando inteiramente aberta para estabelecer
novos contatos. As nossas primeiras palavras trocadas foram suaves e bastante
amistosas. Gostei da sua educação. Gosto de gente educada, gente arguciosa e
que fale de tudo, sem limitações, rodeios ou preconceitos. Eu gosto de gente,
mas claro, gosto cem vezes mais daquelas que me fazem sentir bem. No início,
agi na retaguarda, mas depois, em menos de uma hora, senti-me extremamente bem
com você. Quando falo em “sentir bem”, considere aquela sensação de rever um
ente querido, realizar um sonho de infância ou ter saúde suficiente para lutar
pelos nossos objetivos. A conversa realmente fluiu melhor do que eu esperava,
mas uma hora tive que largar tudo e ir pra casa. Dentro de mim, senti um baque na
despedida. Eu não queria ir e isso
começou a me alertar pra algo estranho que acontecia naquela exata sexta-feira 13. A minha inspiração boêmia
havia voltado com tudo, derrubando paredes, desligando as luzes, arrastando
polêmicas e dúvidas nas avenidas do meu coração. Eu me conheço, e sei que tudo
é um forte sintoma de (...). Prefiro ficar em silêncio. Recuso-me a assumir
aqui, assim, tão repentinamente o que seria o diagnóstico para este
sintoma. Não quero arriscar uma
definição pra isso, não agora. No dia seguinte, voltou à minha mente a
curiosidade de saber por onde você andava, e se estivesse “online”, quem sabe arriscaria algumas perguntas do tipo: “oi, como
vai?”. Me senti péssima, e até um tanto boba ao saber que não tinha muitas boas
coisas pra dizer, e ainda muito pior por não ter a coragem de chegar até você
para arriscar uma mísera pergunta. O interessante é que você sempre adivinhava
os meus pensamentos, poupava-me de tomar essa conflituosa decisão, e vinha até
mim, no auge gritante da minha incontrolável covardia. Você sempre me deixava
surpresa. Algo tão absurdo e muito simples aos olhos dos não-envolvidos, mas
que estava me consumindo, e até mesmo virando um problema sedento de solução.
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