Nos últimos dias, a mulher que lembra
tem se perguntado constantemente: o que é possível fazer pra esquecer alguém
que não deve ser lembrado? Será que o ato de se lembrar de alguém é
involuntário? Ou será que depende dela, simplesmente dela, não se lembrar de
alguém imaginário? A mulher que lembra
se incomoda terrivelmente com o fato de não estar livre para se lembrar à
vontade. Lembra-se de forma incessante, lembra-se de olho aberto ou fechado. Mas,
por não ser correto se lembrar tanto assim, não fala. Não pode, enfim, ter aquele
que tanto lembra, ao lado. Não deve, mas quer o que lembra calada, carregando a
lembrança coibida de um fardo. E aí, a mulher
que lembra, luta, sorri e sonha. Na luta, a lembrança é plena, no sorriso,
a lembrança é disfarce, e no sonho, é triste realidade, a lembrança da mulher é
saudade. E, o esquecimento da lembrança, que hoje parece tão distante e vago, é
a esperança que a mulher que lembra carrega
em si tão fácil. Neste momento memorável, tudo o
que mais queria era perder suas inúteis memórias infindáveis. O esquecimento da
lembrança é a única saída para quem lembra sem querer lembrar-se de nada. É a
salvação para quem ama e esquece quem nem sequer pode ser recordado.

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