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O garoto exótico - Parte IV - A tortura de um segredo.


Já passava da meia noite e de tanto sonhar acordada, a garota já não podia encontrar o próprio sono. Naquela noite, pra conseguir dormir, precisou escrever numa folha de papel algo que estava sufocando seus neurônios. Começou primeiramente com simples rabiscos, e depois, as palavras soltas nas linhas foram formando um possível diálogo. Apesar de absurdo, era impossível não unir a tentativa de expressar um sentimento ardente, ao raciocínio frio e calculista. Não era a sua melhor qualidade, então não queria que fosse tão fria assim. Só que parecia inteiramente idiota falar para um garoto desconhecido sobre coisas do seu coração. Parecia algo idiota, não pra ela, mas talvez aos olhos dele. Não queria ser considerada uma boba outra vez, mas no fundo, já estava agindo como uma. Onde já se viu, encontrar a lógica em um sentimento? Ela adoraria falar-lhe das coisas que sentia sem pensar num modo óbvio pra dizê-las. Contudo, era perceptível que falar de amor estava cada vez mais démodé naqueles tempos. Algumas vezes, já perdeu muito por querer-se doar por inteira e definitivamente, não queria perder as partes que restavam do seu coração remendado. Queria sim, dividi-lo com alguém que não tivesse medo de doar-se também. Queria do fundo do seu coração, que o garoto, além de exótico fosse démodé. A parte mais difícil até ali, era elaborar consigo mesma um plano infalível, que garantisse sucesso imediato e principalmente a longo prazo no jogo da conquista. Ela estava sozinha nisso e precisava deixar seu exército a postos para enfrentar as possíveis conseqüências. Ouvir um NÃO, certamente valeria como um massacre nos seus campos de batalha. Mas ela não queria perder essa guerra. Era algo que precisava preparar no seu íntimo e pôr pra fora, num momento mais conveniente. E então, quando chegasse esse dia, deveria ter na ponta da língua os argumentos certos pra não ser injustamente tão errada. Meninas têm o poder de investir em um garoto, sem serem encaradas de um modo negativo? – Pensava a garota com ares pessimistas. (Não havia nada de negativo na sinceridade e ela esperava dele, no mínimo, uma sábia compreensão.) Queria ao menos descobrir um pouco da sua vida, assim como fazem as espiãs nos filmes, para preparar o terreno, e saber onde está o tão temível campo minado. Compromissos nesse momento acabam com os planos e com boa parte das esperanças de uma jovem sonhadora. Precisava saber, antes de qualquer coisa, se ele já tem namorada. Ele tem um jeito bem reservado, mas era difícil imaginar um garoto daquele sozinho. No mínimo, ele já teria uma lista de cem páginas de belas mulheres esperando apenas por um beijo seu. Ela queria muito mais que um simples beijo. Ela queria algo além do seu corpo. Ela queria a alma dele pra que, em contato com a dela, virasse uma só. Pensou em bilhetes, ou em mensagens escondidas num papel de chocolate. E se ele não gostasse de bilhetes ou chocolates? Seria perda de tempo. Pensou também em falar sem olhá-lo nos olhos, usando a internet, por exemplo. Mas ela só seria mais uma covarde que não se impõe cara a cara na hora mais importante de uma confissão. Pensou enfim, em dizê-lo tudo que sentia pessoalmente, sem muitos rodeios ou quem sabe, com alguns. Entretanto, achou melhor ter a coragem de ficar calada por mais alguns dias, sofrendo a tortura de guardar pra si um segredo, até que tivesse medo suficiente pra jogar-se do abismo.

Um comentário:

  1. Eu já me vi enclausurada em sentimentos durante a madrugada e fui obrigada a colocar tudo no papel. Foi estranho, mas foi o melhor de mim.

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