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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

Crônicas de Abril - Parte III - [problemas]

“Qualquer distância entre nós. Vira um abismo sem fim. Quando estranhei sua voz. Eu te procurei em mim. Ninguém vai resolver. Problemas de nós dois. Se tá tão difícil agora Se um minuto a mais demora. Nem olhando assim mais perto. Consigo ver por que tá tudo tão incerto. Será que foi alguma coisa que eu falei? Ou algo que fiz que te roubou de mim? Sempre que eu encontro uma saída. Você muda de sonho e mexe na minha vida. (...)” [Problemas]


Com o passar dos dias as coisas foram mudando lentamente entre nós, acho que pra melhor. O ritmo das conversas foi acelerando, e a ansiedade por cada resposta foi se tornando ainda mais explícita.  Explicitar o que EU sentia era tudo que eu menos desejava. A rota dos caminhos por onde quis passar foi sendo modificada até o momento em que me vi extremamente vulnerável, graças as minhas palavras. Aos poucos, eu entreguei o jogo e me entreguei ao nosso jogo. Entendi isso como um verdadeiro problema, afinal, não me achei no direito de dizer as coisas que estava dizendo. Era, ao mesmo tempo, algo doce e confuso, livre e proibido, grande e minúsculo se comparada à dimensão do verdadeiro Amor Platônico. Não sabia o que era aquilo, e de fato, ainda não sei. Senti coisas que não imaginava sentir, e pensei outras tantas que não podia fazer, mas não mandamos nos nossos insanos pensamentos. Marcamos um reencontro. Achei graça de mim mesma ao pensar que ansiava vê-lo novamente. Não havia explicação, necessidade ou desculpa para te reencontrar, apenas vontade de vê-lo de perto e saber o que realmente denotava aquela expectativa surreal. Você não sabe o quanto briguei com os meus pensamentos. Chantageei-os, proibi-los de lembrá-lo a cada música que ouvia, e de imaginar-me ao seu lado, transformando tudo em uma batalha muito difícil contra os meus desejos. No final, após muitas tentativas frustradas de te arrancar de mim, desisti e percebi que você estava impregnado em toda parte, e já não adiantava mais me esconder. Foi espantosa a dor da espera até aquela próxima semana.  Quase 144 horas com um só assunto a predominar no meu monólogo íntimo; eu pensava: “será que vê-lo de novo é certo?”, e logo me respondia “eu não está fazendo nada de errado.” Essa consciência de que não estava cometendo um grave erro, me fez seguir em frente um pouco mais tranqüila. O dia chegou. Ratificando o meu interesse, fui atrás de você. Estava decidida a conhecer de perto a sua verdadeira face. A espera se tornou ainda mais longa por causa de sua demora, e até pensei em desistir de ver-te outra vez. Estranhamente me senti sozinha, parva, e até quem sabe desiludida. A hora de ir embora já estava tão próxima que dentro de mim ecoava uma indignação finita - ressalta-se que a minha indignação era finita, pois eu impunha severos limites pra ela. Estava chateada comigo mesma, e eu sei, não havia motivo para tanto. Não posso contabilizar quantas vezes olhei para aquela porta, uma, duas, três, trinta vezes se duvidar, para checar se o meu desengano desaparecia. Nada feito. Voltei pra casa carregando debaixo do braço um sonho partido, e me espantei muitas vezes com a amplitude da minha frustração. Briguei comigo de novo, e me perguntei: “por que estou fazendo isso?”. Não aceitava permanecer em tal estado. Naquela quinta, fui dormir pensando nos acontecimentos do dia e acordei completamente renovada. Aquele sentimento desiludido se dissipou em uma noite muito bem dormida. Pensei tanto em você no dia anterior, que cheguei a sonhar com nós dois toda a madrugada seguinte, aliás, o que já era de se esperar. Até o meu subconsciente se encarregava de agravar as coisas pro meu lado. Já era impossível dominar as rédeas daquela situação. Como um cavalo teimoso, o meu cérebro, mais do que nunca, mostrava-se auto-suficiente em suas decisões, e esquecer-se de um “certo alguém” estava fora dos seus planos. Senti que ali, a minha vulnerabilidade aproximava-se do limite. Descobri-me como, mulher e antes de tudo, como ser humano.
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