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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)

Bem vindo aos meus pensamentos.

Crônicas de Abril - Parte IV - [à noite sonhei contigo]



"À noite sonhei contigo, e não tava dormindo. Justo ao contrário, estava bem desperto. Sonhei que não fazia o menor esforço, para que te entregasses. Em ti, já estava imerso. Que lindo que é sonhar. Sonhar não custa nada. Sonhar e nada mais. De olhos bem abertos. Que lindo que é sonhar. E não te custa nada mais que tempo. Sofrer com tanta angústia por coisas tão pequenas. Gastar essa energia assim não vale à pena. Quem dera me livrar, pra sempre de mim mesmo! E só me reencontrar lá no teu doce abismo." [À noite sonhei contigo]


Alguns dias depois, voltamos a conversar. Você explicou os motivos de não ter comparecido e dentro de mim, não havia ficado ressentimentos. Sentia-me agora muito mais íntima, passando inclusive a te tratar como um amigo especial. Quando você me procurava, eu estava ali, predisposta a ouvi-lo, a te fazer sorrir, e a absorver cada frase com a máxima acuidade. Contudo, tinha perdido a esperança de marcamos um novo encontro, pelo menos não tão rápido, e preferi tocar a situação sem pressa, para quem sabe, amenizar a minha angústia sentida da última vez. No meio de tantos assuntos inacabáveis, você me apanhou desprevenida dizendo: “amanhã estarei aí”. Por dentro, fiquei ludibriadamente risonha, mas, nessa hora me contive e esperei ver você com os meus próprios olhos, para depois, voltar a confiar inteiramente na sua palavra. Você prometeu ser pontual, e esse foi outro tópico que certifiquei de observar com toda a cautela possível. Na manhã seguinte, o meu telefone tocou bem cedo; era você do outro lado, comunicando a sua chegada. Gostei de ouvi sua voz de novo, e consegui sentir um tanto de confiança, mas permaneci, no entanto, inerte, até o momento de ver as coisas se materializando em minha frente. Quando falou que queria saber o local exato para o encontro, enfim, não pude crer. Eu estava apreensiva, ansiando talvez descobrir o que passava pela sua cabeça. Finalmente iria ter um breve e inocente instante ao seu lado, para desfrutar de uma dose de realidade. E o que você esperava de mim? Não sabia. Eu não esperava nada de você, além de um belo sorriso, um papo agradável e sua mais fina gentileza. Passei tantos dias sonhando sem sequer fechar os olhos, que já desconhecia o sabor do palpável, do “ao vivo”, do olho no olho. Lá estava você, jeans, camiseta e muito charme. Sorri. Quando te vi, o meu estado de espírito se acalmou. Esqueci de tudo, inclusive das minhas obrigações, o que não agradou nem um pouco o meu lado responsável.  Vi-me cometendo um crime doloso, totalmente intencional. Fugi de tudo. Você desregulou o meu relógio, e na verdade senti uma vontade imensurável de quebrá-lo em mil pedaços e decretar um feriado nacional naquele dia. Eu queria vivenciar as emoções vagarosamente, e poder provar lentamente o sabor de cada palavra dita por você. Ao te olhar de perto, notei o quilate de sua beleza. Contive-me mais uma vez, antes que minhas pupilas fulgissem demais, irradiando de brilho todo aquele elevador. Mas eu queria notar mais que isso, queria entender mais sobre a sua vida. A beleza é linda, mas, superficial. Gosto daquilo que é profundo. Reparei em detalhes que me poupei de comentar. A sua aliança? Onde estava? Tinha dúvidas do que isso significava pra você, mas naquele dia, preferi continuar abstendo-me desse pormenor. Não queria me decepcionar. Conversar pessoalmente com você foi algo encantador. A nossa primeira conversa real, não foi tão duradoura, mas tornou-se incrivelmente distinta de qualquer outra que tive há muito tempo. Eu te falei e devo repetir: não me esquecerei desse dia. Ao seu lado me senti completamente à vontade, e agi tão naturalmente como no sonho daquela noite vazia. E claro, pude rever o seu olhar-camaleão mudar de cor ao se encontrar com a cor dos meus olhos. Procurei memorizar cada detalhe, e uma leve brisa passou, permitindo que eu sentisse o seu perfume. Até o aroma passageiro agradou o meu olfato, e era um cheiro tão doce como o mel, me fazendo lembrar o meu poema favorito. Mais uma vez, era chegada a infeliz hora de partir. Contudo, após a despedida, selada com um beijo na face, notava-se o meu sublime contentamento. Retirei-me sentindo ainda o contato da sua boca quente no meu rosto. Ali, eu já sabia o que esperar de mim. Restava-me continuar sonhando. 
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