S-a-u-d-a-d-e.
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'Não se pode esperar nada de ninguém. Mas de você, espere por tudo.' (Camila Barretto)
Bem vindo aos meus pensamentos.
Crônicas de Abril – Parte V – [tempo ao tempo]
“Você já percebeu que quando eu
te vejo eu perco o chão. Que o simples fato de te ouvir me faz perder toda a
razão. Quando você chega minha mão transpira, minha mente pira, eu já nem sei o
que fazer. Já vi que esse lance tá ficando chato, pois até meus atos não
consigo mais conter. Não ligo se você nem tá ligando. Nem tão pouco se
importando, mesmo assim vou te dizer (...).” [Tempo ao Tempo]
Antes de começar a descrever os acontecimentos seguintes, vou pensar
metaforicamente. Comparo os sentimentos às gotas de água, e o nosso resguardo a
um copo de vidro; quando a água é limpa e pura, ela irradia transparência e
brilho com tamanha facilidade. Assim são
os bons sentimentos. Sentir ingenuamente
com o coração é a coisa mais limpa e brilhante que um homem e uma mulher podem fazer. Quando
só existem “gotas” de sentimentos, é muito mais fácil mantermo-nos
resguardados, pois tais gotas caem em nosso coração, secam e somem. Só que
às vezes, uma quantidade tão grande de sentimentos nos invade como uma vazão torrencial,
que transborda os nossos limites, e nos faz confessar coisas inimagináveis em tão
pouco tempo. Não imaginei que o meu copo, fosse tão cedo, transbordar. Vi o
vidro rachando, e foi nesse momento em que confiei a você toda aquela água pura
contida em mim. Acredito, portanto que, depois daquele reencontro tivemos um severo
choque de realidade. Descobri coisas muito reveladoras sobre o que você sentia.
Não pude, de novo, refrear o meu espanto. Conversamos sobre sentimentos de
forma tão aberta e sincera que coloquei a nossa relação em outro patamar. Assim
como nascia em mim um litígio sem explicação, em você, tal dilema estava ainda
mais eminente. Descobri, além de tudo,
que você precisava de um tempo. Respeitei e respeitaria a sua opinião, diversas
vezes se preciso, mas confesso que uma pétala dentro de mim morreu assim que
soube da sua decisão. Acho que não estava preparada para me despedir, mesmo que
por um tempo irrelevante. Mas tive que mostrar-me pronta, já que lá no fundo eu sabia que o
exílio seria o melhor remédio, até mesmo para o meu coração confuso. Combinamos
de nos afastar, e assim, no dia seguinte experimentei o retorno à minha
antiga vida, aquela que eu achava tão colorida, mas que na verdade não passava
de tons monocromáticos. Com muita labuta, abdiquei daquele vício incessante de saber como você
estava. Desde que tudo começou, foi o primeiro dia em que não nos pronunciamos. Não sei como foi o seu dia, mas no meu faltava alguma coisa. Inexplicavelmente senti o meu mundo incompleto, porém, eu precisava me
conformar que tal “afastamento” duraria um indeterminado tempo. Quem sabe duraria
pra sempre, então era melhor eu mudar o meu semblante. Já não adiantava cara
triste. Naquela manhã cinza senti uma eternidade escorrer defronte meus olhos.
Nada pra fazer, ninguém pra roubar a atenção, e nenhum motivo para contemplar com olhos
liquefeitos uma mera tela de computador. Desânimo total. Poderia passar horas e
horas descrevendo a monotonia e a indiferença sentida por mim. Mas, vou concluir por aqui. À noite veio morna, e se acabou assim que fui tomada pela fantasia
dos meus sonhos. Dormi ininterruptamente. O sol raiou antes das 6h, eu não
queria acordar, mas tive que inventar forças e colocar os pés no chão. Mais um dia de trabalho. Passei
por outra manhã que se arrastava irritante e quase ao meio dia, notei que o meu
celular vibrava num ritmo frenético. Olhei pra ele com desprezo, e sem coragem
para ver o nome que aparecia no visor, deixei tocar algumas vezes. A
verdade é que não queria me encher de esperanças. Ergui a mão direita e de
longe vi um número que não conhecia. Senti um estalo. Por um segundo acreditei
que era você, mudei minha reação, atendi curiosa, e no segundo seguinte, mais
um baque: ouvi o seu timbre suave e misterioso do outro lado da linha. Não
acreditei. Fiquei sem entender o porquê de você ter desfeito o nosso acordo,
mas namorei o fato de você ter tomado essa iniciativa controversa, que
certamente eu não iria tomar. Conversei com você por mais de três minutos, que
passaram tão velozes como a velocidade que a luz transcorre o universo. Engraçado
como o tempo, de repente, passou a contar acelerado. Será que a mesma
justificativa para o meu desânimo foi de igual forma, o motivo da sua procura? No meu caso, a grande causadora seria uma palavra gigante de sete letras.
S-a-u-d-a-d-e.
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